Monday, November 21, 2005

ROBERT CREELEY - POR RUY VASCONCELOS


"Poderíamos editar Creeley em planos de videoclipe: abandonou Harvard -após haver sido suspenso por ter roubado a porta do dormitório; guiou ambulâncias em Burma e na Índia; morou na Provença e nas Ilhas Baleares em condições precárias; obteve o grau de mestre apenas porque Charles Olson, reitor de uma faculdade experimental de artes lhe concedeu o título; passou um tempo na companhia de Ginsberg, Rexroth (com cuja mulher manteve um caso amoroso que quase finda em tragédia), Snyder, Corso, Mclure e Ferlingetthi no auge da propalada Renascença de San Francisco; casou e descasou várias vezes (prole de sete); enfurnou-se no Piauí americano (o Estado do Novo México) para lecionar poesia; teve livros traduzidos em mais de 30 idiomas; habitou lugares tão díspares quanto Helsinck e uma colônia agrícola nos cafundós da Guatemala. Nos últimos dois anos era professor da Universidade Brown. Que mais se pode dizer de um homem assim, a não ser que, evidentemente, viveu? Ou seja, não passou a vida trancado num estúdio, cercado de livro e miopia?"

Trecho do artigo publicado por Ruy Vasconcelos, primeiro tradutor de Creeley no Brasil, por ocasião da sua morte, na revista Trópico.

4 Comments:

Blogger Celso said...

sim, viveu. conhecia e admiro a poesia de Creeley, magnífica, mas ignorava estes detalhes da sua biografia. ultrapassar limites é um dos sinônimos de viver.

Saudações do Cárcere

1:10 PM  
Blogger douglas D. said...

e segue andante, nas palavras-imagens que insiste em transbordar.

10:30 AM  
Blogger Dona Estultícia said...

Blog delicioso, ótimo escolha do poeta, e enfim, volto mais vezes. Vim pelos caminhos do Celso. Abs!

9:21 AM  
Blogger Jair Cortés said...

disfruté mucho de este fragmento de la vida de creeley. un hombre que vivió la vida de cien hombres. gracias por compartir los excesos. jair cortés

9:49 AM  

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